Pras bandas de cá, o frio chegou. Com o frio, a certeza de que um abraço significa amor próprio e torna-se gesto de caridade. De quebra, a oportunidade de mostrarmos um outro lado nosso, mais enroupado e estiloso.

Por fim, temos o calor. É o calor que justifica o frio, é pelo calor que pedimos o frio. Não há touca, se não pelo calor. Não há casacos pesados, se não pelo calor. Não há camadas de cobertores nos afogando contra o colchão, se não pelo calor.

Vamos evitar hipocrisias. A verdade é que não gostamos do frio. Gostamos é da sensação de estarmos protegidos do frio. Gostamos de encarar a geada lá fora dando gargalhada, com um copo de chocolate quente em mãos, sem sentir a verdadeira sensação que é passar frio.

E eu falo de passar frio, não de sentir frio. Um brisa gelada encostando no seu rosto não pode ser comparada à sensação de ter o corpo todo tomado por injeções anestésicas vencidas.

Se aqueles que se acobertam com papelões e escondem-se em latas de lixo fossem lembrados, dizer amar o frio seria crime de falta de empatia.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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