▬ Thomas Hobbes / New Statesman ▬

Este texto foi originalmente postado em meu perfil no Steemit, uma plataforma que remunera o criador pelo seu conteúdo, confira:

A primeira inclinação de toda pessoa que detecta um problema é buscar por um responsável pelo que está acontecendo. Às vezes a responsabilidade cai, convenientemente, sobre aqueles que gostaríamos que fossem responsáveis (um político da oposição, um desafeto social ou algo do tipo), e às vezes temos que estar abertos a admitir que nós mesmos temos uma parcela de “culpa” (palavra problemática por seu vínculo religioso) sobre aquilo que, sabemos, é algo a ser solucionado e precisa de explicações desconfortáveis de serem dadas.

Entretanto há casos em que os problemas não são exatamente fruto da ação individual humana. Há casos (e talvez sejam mais comuns do que pensamos) em que as origens dos problemas que visamos combater são próprias do ambiente do qual brotam. E quando o ambiente favorece incentivos nocivos, temos um sistema no qual as interações dos indivíduos, em conjunto e co-responsavelmente, acabam por concretizar o pior de nossa espécie.

De fato, o nosso sistema social, político e econômico parece possibilitar que atos errados sejam cometidos pelas pessoas. Porém isso acaba sempre numa questão ética: o problema é o sistema ou o próprio ser humano?

Afinal, se for o sistema, isso significa que o ser humano precisa do “pai estado”, ou qualquer mecanismo superior à sua agência individual, para lhe dar, constantemente, uma direção comportamental para atuar na sociedade. Assim sendo, a boa ação humana é necessariamente condicionada (psicólogos behavioristas parecem acreditar que assim seja, e mesmo filósofos como Thomas Hobbes).

Porém, se o problema for o ser humano em si, e casos imorais continuam acontecendo mesmo em sistemas perfeitos, isso significa que, independentemente do sistema, o ser humano continuará errando e demonstrando o seu pior nas situações que forem convenientes para tanto.

De qualquer forma, se a “culpa” é do sistema de incentivos disponíveis ou se é puro reflexo de uma natureza humana que transpassa as limitações impostas pelo ambiente de convício social, tudo indica uma falha humana inata, que permite toda a perversidade na terra.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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