Ser religioso deve ser mero detalhe

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Este texto foi originalmente postado em meu perfil no Steemit, uma plataforma que remunera o criador pelo seu conteúdo, confira:

Assim como qualquer ser humano, eu sou um amontoado de características que formam um todo próprio. Sou brasileiro, do sexo masculino, estudante universitário, sedentário por conveniência, vegetariano e, claro, além de muitas outras coisas eu também sou ateu.

Percebam como, dentre tudo que compõe minha identidade, o ateísmo é apenas um detalhe. Eu não pauto minha vida a partir da minha descrença na realidade divina, considerando a existência de um Criador do universo (ou de criadores, como ocorre nos politeísmos). Não conseguir acreditar é algo que faz parte de mim, como expliquei aqui. Antes, é justamente por ser um agregado de qualidades que tenho uma personalidade. Por que com não-ateus seria diferente?

A religião é uma ferramenta que facilita um “expurgo espiritual” necessário para as pessoas, em sua grande maioria. Há pessoas que não precisam, mas isso não significa que sejam melhores. Apenas significa que não faz parte da subjetividade delas essa necessidade. Faz parte da diversidade humana.

O problema, ao meu ver (e creio que da grande maioria de pessoas que, como eu, se distanciam da religião por alguns motivos críticos), é quando a religião acaba por tornar crenças e hábitos individuais em problemas de ordem coletiva. É o que acontece quando a religião determina todo um sistema de atitudes de uma parcela relevante de uma população, a ponto de as crenças da religião intervirem na vida de todos os cidadãos daquela sociedade — a existência de uma “bancada evangélica” no Brasil exemplifica a tentativa de impor à sociedade, por meio de leis restritivas ou que privilegiam certos interesses dúbios, preferências específicas de um coletivo de religiosos.

Porém, mesmo com tantos dispostos a fazer da religião uma prioridade existencial, ainda assim ser religioso não passa de um detalhe, no que tange aos indivíduos. Ser um fundamentalista radical, alguém cujos propósitos espirituais ultrapassam suas necessidades espirituais íntimas, bem… é isso o que caracteriza aquele que, não contente com sua individualidade, quer padronizar, à sua maneira, o coletivo.

Se nossas preferências de como deva ser uma sociedade são válidas ou não, isso é uma questão de argumentação, com premissas e conclusões verdadeiras e válidas. Mas não é uma questão de argumentação a definição de nossas vidas a partir da nossa relação com ideias transcendentais e religiosas. Nesse caso, a questão é a da liberdade.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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