Responsabilidade e liberdade

É a dimensão ética da responsabilidade que tanto nos confere quanto atesta haver em algum nível liberdade.

Ao menos intersubjetivamente, pois na relação uns com os outros é suficientemente intuitivo que não possamos distanciar o ato do agente, e o agente da intencionalidade, do “querer”.

Sartre, por exemplo, toma a liberdade como “autonomia do querer”, e não como “poder” (como comumente é entendido pelas pessoas). Isso explica noções ousadas dele como a de que até escravos são livres, pois não é que “possam se libertar”, mas que são livres para, ao querer se libertar, fazer algo com isso.

Se a liberdade tem mais a ver com escolhas e com o ‘querer’ do que com o poder-fazer, faz sentido dizer que “estamos condenados a ser livres” a despeito das categorias biológicas e culturais e a despeito do ‘querer’ ser condicionado, pois a liberdade ocorreria dentre as condições e não para além delas.

Essa liberdade dentre as condições vigentes (biológicas e culturais), de buscar a realização do que se quer, invoca uma responsabilidade imanente à agência, daí a possibilidade de não apenas “atomizar” o indivíduo, o distinguindo de sua cultura ou biologia para julgá-lo responsável, como também de lhe auferir uma individualidade que não está totalmente dependente das estruturas que contextualizam sua vida, por meio das quais é livre para transitar e escrever sua história.

A responsabilidade da pessoa humana, portanto, não pode ser desculpada ou culpada pelas estruturas. Alegar como causa da ação violenta de um indivíduo a cor de sua pele, seu sexo, gênero, a cultura em que vive, o sistema econômico e político ou quaisquer situações contextuais que compõem sua identidade por vias coletivas, portanto, é não só um erro como também é antiético.

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Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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