“QUE OS RICOS PAGUEM A CONTA” é cegueira ideológica

Se você admite que a iniciativa privada é “du mal”, não faz sentido algum pensar que, de fato, “os ricos pagarão as contas”. Quem é “du mal” dá um jeito de sair por cima, certo?

E é justamente o que acontece quando impostos são cobrados de empresas. Todo imposto que empresas pagam é revertido em custos para o consumidor. Empresa não paga imposto. Quem paga imposto é quem utiliza o serviço, indiretamente.

Se o Uber passa a ter de pagar impostos para funcionar em território nacional, vocês acham mesmo que os preços do Uber como o conhecemos atualmente se manterão?

Continue sonhando, criança iluminada.

Ficar nessa birra por querer que iniciativa privada pague tudo que existe é esquecer que quem mantém iniciativa privada são seus clientes.

Regulamentar a ponto de permitir a proibição municipal do aplicativo é dar motivos para que as empresas ofereçam serviços sucateados na medida em que é dificultado o ingresso da concorrência no mercado.

E sabe o que é sinônimo de mercado sem concorrência? Sim, isso mesmo: preços mais altos e ditados conforme aqueles que detém o monopólio do serviço.

É o que muito vimos antes do Uber, com o oligopólio dos cartéis de táxi. A entrada do Uber desregulamentado possibilitou a queda dos preços de forma agressiva, forçando os serviços de táxi a também baixarem seu preço de modo a poderem concorrer com o Uber. Com o tempo, vimos a disputa entre Uber e outros aplicativos, como Cabify e 99 Táxis. Em locais como aqui em Porto Alegre, mesmo os cartéis se forçaram a criar aplicativo para concorrerem, como o Sintáxi.

E sabe quem ganha com essa livre concorrência toda? Isso mesmo: você, imbecil.

Agora, se você quer, por motivos meramente ideológicos, fazer empresas pagarem mais porque, afinal, são “du mal”, então continue aí declarando publicamente seu sadomasoquismo — e consequentemente querendo ferrar com o cu de todo mundo junto. É sua liberdade (e sim, é de liberdade que falamos aqui).

Porém, só não queira convencer pessoas minimamente racionais de que “os ricos pagarão as contas e o mundo será melhor e mais belo e colorido”. O lucro é imperioso, eu e você sabemos disso. E enquanto houver lucro, haverá atuação. Se o lucro decai, das duas uma: ou a empresa vaza de sua cidade, ou ela joga pra cima o valor do produto.

Percebe como você sempre sai perdendo, trouxa?

Demonizar o lucro é tão século XX. Bora pensar menos em intenções e mais em consequências? Bjs.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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