Persona non grata — ou como chamar um opositor à altura de fascista

Uma das formas mais covardes de fugir de alguém intelectualmente desafiante é tomá-lo como “persona non grata”, alguém que não é bem-vindo em determinado meio de discussão racional.

Isso porque o rótulo (persona non grata) atesta, de modo subliminar, que a pessoa rotulada é perfeitamente capaz de debater em pé de igualdade, mas que não é bem-vinda dado que suas ideias conflituam com as de quem rotula — e este conflito é desesperador… Já pensou ser refutado ou ficar gaguejando na frente de seus coleguinhas que compartilham as mesmas ideias que você?

Quando a pessoa não é entendida como estando em pé de igualdade intelectual, não se aplica o tal rótula a ela. Simplesmente se chama ela de burra, idiota, alienada, reacionária, conservadora (sim, porque “persona non grata” é um termo bastante usado entre não-conservadores).

Tudo se resume a dificultar ou simplesmente cessar a comunicação com opositores. Afinal, já que a pessoa se demonstra perfeitamente capaz de dialogar, é racional, tem argumentos consistentes mas contradiz minhas ideias…

Bem, chamá-la de “persona non grata” é o primeiro passo para um dia chamá-la, convencidamente, de fascista.

E nem Marcias Tiburis são capazes de curar alguém desse rótulo.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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