O problema desse texto é que não se expõe as condições pelas quais a intimação foi movida. Anyway, vou deixar abaixo algumas reflexões que fiz sobre o caso:

O que me incomoda na situação não é o Gentili ser escroto — o perfil dele é chutar o pau na barraca, e seria pouco racional eu esperar que ele fizesse diferente. O que me incomoda na situação é pessoas defendendo a ação de uma agente do Estado contra um cidadão, indiferente ao poder social e político que ele tem, apenas porque ele expressou discordância pública de suas opiniões. Nas palavras de um amigo, quanto à Procuradoria Parlamentar responsável por vigiar ações de cidadãos:

“A gente paga, e paga caro, por um órgão cuja única função é processar cidadãos quando parlamentares milionários, poderosos e de moral duvidosa se sentem ofendidinhos, mas o que causa revolta é um palhaço zombar disso.

Agressão é colocar políticos nesse pedestal como se fossem vítimas. É saber que até você tem que tomar cuidado para não soar “ofensivo” contra uma classe que já tem privilégios obscenos, senão ela irá usar seu próprio dinheiro para te ferrar.”

Outra coisa é o duplo padrão moral que surgiria caso a pessoa que tivesse feito o vídeo não fosse o Gentili, endereçado à Rosário, mas por exemplo o Duvivier endereçado ao Malafaia.

De toda forma, como disse outra pessoa:

“Não importa se o Gentili é de direita ou de esquerda, se tem ou não talento humorístico, o que se está discutindo é o fato do poder público tolher a liberdade de expressão na esfera política. Ponto final. E quem concorda com o tolhimento da liberdade de expressão, possivelmente pode acabar sendo a favor de pau de arara ou de gulags, mas não de democracia.”

Outro problema é quanto à ideia de que Gentili deva ser punido porque injuriou Rosário. Trata-se do consenso falso de que legalidade é o mesmo que moralidade. Não é porque está na lei que logo está certo. Se essa fosse uma condição necessária, não faria sentido qualquer crítica ao Estado. Portanto, pode-se argumentar que, indiferente a estar na lei ou não que Gentili deva ser punido, isso não justifica, moralmente, a punição. E se formos analisar o caso concreto, as razões pelas quais Rosário defende que Gentili deva podar sua própria expressão ao dirigir-se a ela, ficaremos ainda menos crentes de que Rosário está justificada, fazendo algum sentido que Danilo, de um modo totalmente vulgar, faça uma crítica sensacionalista à situação. Se o intuito dele era alertar ou não as pessoas de quão tosca a Procuradoria Parlamentar é, não sei dizer. Mas sei dizer que, de dois erros não se faz um acerto, e o melhor seria admitirmos que todos estão errado nessa situação e o melhor a fazer é seguir o baile, partir pra outra e deixar o episódio como lição política.

De toda forma, vale este vídeo para ter uma noção de contexto:

Abraço!

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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