No mínimo sim, mas a sua aristocracia derivava de uma profunda angústia em relação à democracia, que condenou o seu amado mestre, Sócrates, à morte. Nesse sentido, Platão obtivera uma certa “vivência” para perceber o mal que pode ser gerado por parte de um povo leigo e frágil à retórica de gente com interesses escusos.

De qualquer forma, não concordo totalmente com a visão política de Platão, que era, basta ler, comunista (no sentido de criar castas de igualdade para gerenciar fatores sociais distintos — os filósofos no topo, os “guardiões” [pessoas mais instruídas porém com afazeres menos teóricos] no meio e os meros cidadãos como pura massa).

Mas mais me chama a visão de Aristóteles a respeito do assunto. Ele soube conciliar a ideia de aristocracia com democracia. Em resumo: uma sociedade “aristo-democrata” é aquela na qual todo cidadão pode concorrer a altos cargos, desde que, para tanto, se forme um ser capaz de exercer o cargo (haveria um certo “curso”, podendo ser uma graduação nos dias de hoje, para se tornar governante — mas nada tão exagerado quanto o que defendia Platão [tirar os filhos de suas mães para educá-los, até os seus 50 anos, para descobrir se eram dignos de ser filósofos, e portanto governantes, ou não], pois ao mesmo tempo em que pessoas sem experiência prática e teórica não poderiam governar, se quisessem, seria a elas dada a oportunidade de fazerem o curso [algo como “Gestão Pública”? Não sei dizer], mas só os melhores dentre os melhores, uma pequena casta, poderia ter o direito à governança, fundada no mérito]).

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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