Falsa denúncia da menina da suástica: os lobos agradecem

Muitas pessoas me disseram conhecer, seja direta ou indiretamente, a jovem gaúcha que denunciou ter sido esfaqueada por nazistas em pleno bairro famoso e repleto de câmeras da cidade de Porto Alegre. Todas essas pessoas tentaram me garantir que o relato era verdadeiro, e bastava conhecer a vítima para acreditar nela.

Acontece que a perícia investigou o caso e, até o momento, nada tem sido favorável ao discurso da denunciante e suposta vítima.

Me soa muito razoável que uma pessoa que faça uma séria denúncia envolvendo a violação de seu corpo torne-se, ela mesma, criminosa diante da prova de que ela mentiu — seja lá por quais motivos forem.

Não porque eu quero ver ela se danar, mas porque instituições democráticas sólidas precisam trabalhar com base em incentivos, e ter em mente a chance de você se dar mal com uma denúncia falsa certamente tende a diminuir os casos de denúncias do tipo.

Ora, seria muito atraente para militância de qualquer tipo mutilar o próprio corpo e culpar como criminosa a sua oposição, diante da falta de mecanismos punitivos para no mínimo fazer com que ela repense suas estratégias políticas.

“Mas, Alysson, se a vítima tem chances de virar criminosa quando faz uma denúncia, basta uma falha da perícia para tornar passível de crime alguém que não o cometeu!”

Paciência. Não é por que a justiça é imperfeita que devemos deixar as porteiras abertas para fazer de sua imperfeição uma oportunidade perfeita.

Além disso, esse tipo de incentivo não apenas coíbe denúncias falsas. Antes, economiza recursos públicos, uma vez que o processo de investigação, demorado que é, envolve a disposição de horas de trabalho e pagamento de salários de policiais, advogados, médicos legistas, equipe de imprensa e outros detalhes custosos que poderiam estar sendo direcionados para denúncias reais e verdadeiramente importantes.

Lembram daquela fábula infantil, sobre o menino e o lobo? Talvez seja preciso lembrá-la: o menino tinha o dever de cuidar das ovelhas, e alertar o povoado caso aparecesse um lobo. O menino, entediado, mentiu algumas vezes ao povoado que tinha visto um lobo. O povoado cansou das mentiras, e parou de acreditar no menino. Quando o lobo de fato apareceu, ninguém acreditou no menino e as ovelhas foram devoradas.

Se casos reais de nazistas esfaqueando jovens estiverem de fato rolando por aí, saibam que mentiras e falsas denúncias são oportunidades perfeitas para que ninguém mais leve esses casos a sério.

Os lobos agradecem.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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