Eu não acredito em revoluções

Mahatma Gandhi liderando o mais famoso movimento de resistência civil não-violenta da História, a Marcha do Sal.

“Você acredita em protestos e manifestações pacíficas? Tenho me deparado cada vez mais com pessoas afirmando que ‘não há revolução sem baderna’, mas não consigo aceitar essa ‘racionalização’ da violência de jeito algum.” — Pergunta enviada por Walter White.

A primeira coisa que posso afirmar sobre isso é que, na verdade, eu não acredito em revoluções. Não que elas não ocorram ou que não sejam necessárias em certos contextos. Minha descrença em revoluções se dá pelo meu posicionamento reformista: enquanto liberal, posso ser entendido como um progressista; entretanto, compartilho do sentimento conservador quanto ao valor das instituições democráticas que foram consolidadas após muito esforço conjunto, repleto de sacrifícios e, quem sabe, mesmo de revoluções anteriores — o que me faz ter o pé atrás com revoluções de qualquer tipo.

Assim, supondo que devamos buscar alguma revolução a nível disruptivo, instaurando uma nova sociedade, talvez mais igualitarista como pedem os marxistas, muito provavelmente precisaríamos de pessoas armadas e da tomada do poder com algum golpe muito provavelmente violento. Logo, pode-se dizer sim que revolução sem baderna não é exatamente revolução, embora seja no mínimo desobediência civil.

Ainda que certamente revoluções não-violentas/pacíficas — como a praticada por Gandhi na Índia — sejam diferentes de mera desobediência civil — como a praticada por Rosa Parks nos EUA — , ambas são coisas igualmente possíveis e com forte apelo midiático, capazes de trazer mudanças reais e necessárias para as pautas defendidas.

Logo, se o que Gandhi fez foi de fato uma revolução, existe sim revolução sem violência. Igualmente, também, podemos dizer que existe sim possibilidade de mudança com protestos e manifestações pacíficas, embora possam não ser determinantes. Quem participou das Diretas Já, quem pediu o impeachment de Collor e de Dilma sabem disso. Primavera Árabe no Oriente Médio, Revolução Laranja na Ucrânia, Revolução dos Cravos em Portugal e Revolução de Veludo na Tchecoslováquia também podem sinalizar a possibilidade de mudar drasticamente a sociedade sem ter a violência como um norte. No fim das contas, contará muito o apelo popular, algo que pode tornar o poder de qualquer líder ilegítimo mesmo diante de seus oficiais.
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Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto