Esqueça Mariana: é o lamaçal político que afoga o país

Militantes pró-governo dizem lutar “pela democracia” e “contra o golpe”.

Estamos diante de um cenário político bastante curioso, no qual as opiniões se dividem muitas vezes beirando simplismos absurdos, onde passa a ser comum dividirmos as coisas entre “bem e mal”.

Um cenário no qual uma superplanilha de possíveis corruptos vaza, com apelidos próprios para cada indicado (sugerindo que são usados a fim da não-identificação de quem recebeu as verbas), é por si só um escândalo.

Mas não basta esse fato recente, ainda temos o Itamaraty enviando às embaixadas pelo mundo todo alertas de que o Brasil está sofrendo um “golpe”, uma presidente concedendo entrevistas a jornais internacionais para “denunciar o golpe” e centenas de milhares de adeptos do atual governo apoiando a crença de que há, em curso, um verdadeiro golpe.

As aparentes influências políticas do magistrado estão sendo vistas como suficientes para que alguns aceitem a hipótese de que a OAB, o STF, o STJ, o MP, a PF, a Globo (?) e o próprio Sérgio Moro (como uma espécie de líder) estão em um complô nacional, arquitetado maquiavelicamente, a fim de destituir os atuais governantes de seus tronos.

Agora mesmo a VEJA parece ter preparado uma capa na qual denuncia o “plano secreto de Lula” frente ao cenário atual: fugir do Brasil e ficar asilado na Itália. Talvez não possamos esperar menos dessa revista, mas quando vemos que até a própria Carta Capital denuncia os investimentos publicitários do governo petista (que investiu quantidades gigantescas na própria VEJA e na própria Globo [engraçado, não?]), que disparam frente aos investimentos em educação (“pátria educadora”), é porque a coisa realmente está complicada.

Não bastando essa polêmica, o PMDB do Rio, antes forte apoiador, agora acaba por deixar o Governo de Dilma Rousseff. Aliados e críticos pensam em outras formas frente ao muito provável impeachment: um referendo.

Diante de tanta lama que nos faz esquecer de Mariana, o que esperar dos próximos cenários?

Uma dica provável e infeliz, talvez sejam medidas de exceção. O que isso significará? Infelizmente, só mesmo na prática para sabermos — e a prática nos fará sentir saudade da teoria.

Como lidar com essa sequência de fatos que parecem assustar, de fato, a democracia? Existe um “golpe” em curso? Se sim, quem é o verdadeiro golpista da história toda: um magistrado associado à mídia que move as massas e persegue os nobres políticos petistas (numa megalomaníaca associação de milhares de pessoas que mantêm segredo e planejam a destruição do PT e da democracia), ou o próprio governo que, não contente com o seu barco furado, tentará empurrar para os confins do oceano cada um que lhe for considerado um peso?

O que temos a fazer agora é pegar a pipoca e assistir aos próximos episódios. Essa é, infelizmente, a condição do brasileiro médio: esperar e, quem sabe, reclamar — porque diante de uma gigante máquina estatal podre e corrupta, quem é o mero indivíduo para querer mudar alguma coisa, afinal?

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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