Constantemente vejo pessoas defendendo que haja um certo tipo de “luta de classes”, assegurando que um lado é oprimido e outro lado é opressor.

Essa visão é compreendida em todo movimento ativista de que tenho conhecimento, havendo um enorme consenso de que haja um lado “malvado” e cheio de maus interesses, sufocando o outro lado com tais interesses e, no fim das contas, fazendo dele sua vítima.

Ao mesmo passo em que aceitam essa “divisão sistemática”, asseguram a ideia de “um mundo melhor”, livre da tal divisão subentendida pelos mesmos. Mas, dizem, esse “mundo melhor” só será possível a partir de uma constante luta dos assumidos oprimidos contra os nomeados opressores.

Há uma constante demonização contra certas classes.
No marxismo, os capitalistas são os opressores.
No movimento negro, a “classe branca” é opressora.
No feminismo, a “classe homem” é opressora.
No veganismo abolicionista, a “classe industrial-animal” é opressora.
E por aí vai.

O problema dessa visão é a simplicidade dela. Afinal, teorias são bem mais aceitas quando são simples e nos dão a sensação de compreensão suficiente da realidade circundante. E essa simplicidade e aceitabilidade a faz ficar longe de maiores críticas.

Assim como a Bíblia tem nos ensinado sobre a existência dicotômica de um Bem e de um Mal, o mesmo acontece agora, porém em moldes diferentes. Não se trata mais de um plano espiritual. Se trata agora, como Marx diria, de “transformar o mundo”, por mais amplo e vago que isso seja.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto