Como provar que as curtidas no Facebook têm efeito psicológico sobre você?

E se não há “unlike” (‘descurtida’), não é sem motivo.

É fácil, basta fazer um simples teste:

1. Role a sua linha do tempo em busca de um textão qualquer, onde haja algum debate nos comentários;
2. Leia o texto, e então leia alguns comentários (não precisa ser todos);
3. Curta os comentários com os quais você concorda.

  1. dos textos que surgiu, você escolheu para ler um texto suficientemente bem curtido, de modo que soasse o mais atraente.
  2. Nos comentários, você leu apenas — ou priorizou ler — aqueles que também eram bem curtidos, enquanto sobre os com poucas ou nenhuma curtida você apenas passou os olhos. Por fim,
  3. os comentários que você curtiu muito provavelmente eram os comentários já bem curtidos.

Esse efeito é interessante porque nos diz que somos inclinados a reagir de acordo com as reações sociais que já ocorreram antes mesmo da gente.

A julgar que o Facebook nos conhece na medida em que utilizamos a plataforma, cada vez mais veremos coisas cada vez mais atraentes (a cada “voto de confiança” [curtida] que você deposita em algum conteúdo, o Facebook entende que você quer ver mais desse conteúdo), e a medida para que essas coisas nos soem atraentes é sua popularidade (o julgamento de outros sobre o conteúdo — curtidas, comentários, compartilhamentos [referências externas, de pessoas confiáveis ou não, de que há relevância naquele conteúdo]). E quanto mais vemos o que provavelmente curtiremos, nos acostumamos a associar “curtidas” com “qualidade/relevância” — e daí nascem anomalias sociais como “curtir antes de ler”, um comportamento de manada regrado num mesmo incentivo comum.

Por estas terras, a curtida é nosso objetivo, seja para recebê-la, seja para depositá-la. A moeda social definitiva deste mundo virtual.

E embora seja uma moeda de uso infinito com um valor inestimável (que ótimo negócio viver por aqui, não?), há dúvidas quanto a sustentar que o uso da plataforma seja, como a plataforma mesma diz, “gratuito e sempre será”, já que seu uso aparenta retroalimentar um reflexo-condicionado em todos nós — quanto mais usamos, mais estamos dispostos a usar, tudo apoiado num incentivo comum que mexe tanto em nossos preconceitos quanto em nossa autoestima [em nosso ego, basicamente]: a simples curtida — a validação do que pensamos e de quem somos, o objetivo último da realização pessoal humana.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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