Estive à busca de distração por conta da frustração. E seguia assim, com um pé em frente ao outro, com um andar meio sonso mas ansiando por um momento em que não faria mais sentido procurar por acalento. Só que dentre essa perambulada toda eu não conseguia perceber a falta de algo tão simples quanto a pisada que eu daria no próximo paralelepípedo.

Eu sentia que algo estava errado mas continuava assim, a pisotear o chão sem saber bem o porquê. É que fico meio nervoso e receoso e ansioso e tudo o mais que eu não sei dizer — mas só sentir — quando percebo que algo tá errado. E o foda é não saber bem o que, continuando a procurar e acreditando que iria saber.

Eu, no fundo, tinha certeza de que precisava mudar o rumo. O passo já tava apertado e eu não tinha noção sobre se o piso tava molhado. Um pé em frente ao outro, o tempo todo, um pouco torto, com passos longos.

Aqueles pés…

E refletindo fui seguindo. Agora eu sabia o que tanto me afligia. Eram aqueles pés, inquietos e buscando por algo. Não, minto. Era mais que isso. Era alguma coisa mais simples ainda e que estava ofuscando tudo o que eu sentia… agora eu sabia.

Meu problema era manter a cabeça baixa, olhando pra baixo e esperando o tempo passar, como quem tenta acompanhar os segundos no passo a passo. Meu problema era ignorar que havia um mundo exterior à minha mente e aos meus sapatos apertados, centrando demais em mim e ignorando aquilo que tava lá fora, esperando pra ser observado.

Finalmente eu sabia que o meu problema era não andar com a cabeça erguida.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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