Adultos que colorem são infantis

Ultimamente tenho visto críticas quanto a essa onda de livros de colorir para adultos — críticas essas que reafirmam ideias ultrapassadas de que adultos devem agir como pessoas “sérias”, levando em consideração que “colorir é coisa de criança”. E, como é comum a toda crítica desse tipo, há algo aí que se encaixa perfeitamente num “medo do novo”.

Não, as pessoas adultas não estão colorindo livros porque o mundo está “infantilizado” (e é uma pena que esse termo só seja visto como pejorativo, afinal a infância é algo incrível). Pessoas adultas colorem livros justamente porque vivem num mundo onde colorir passou a ser visto como algo ridículo, como algo para gente imatura e “sem muito o que fazer”.

Pessoas adultas estão colorindo livros não porque estão doentes, mas porque o mundo as adoece com esse jeito sistemático de privar adultos de seu lado mais lúdico e infantil (não pense “infantil” aqui como algo pejorativo. Disse e repito: a infância é algo incrível). E é justamente por vivermos em um mundo repleto de ignorância e separação entre o que seja uma criança e um adulto que muitos adultos, cansados disso, chegam ao ponto de precisarem de uma fuga, de uma terapia de si para si mesmos. Um adulto que se conhece sabe que não pode abandonar a criança que vive com ele.

Se é ridículo aos olhos de você ou não, tanto faz. Se tá ajudando alguém a encarar a própria barra de estar vivo, então tem o seu valor. Aliás, eu nunca fui com a ideia de colorir, mas agora quero um desses livrinhos. Alguém sabe onde consigo?

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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