A preguiça como avanço da humanidade

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Este texto foi originalmente postado em meu perfil no Steemit, uma plataforma que remunera o criador pelo seu conteúdo, confira:

Me parece sempre muito interessante pensar sobre as coisas e eventos que nos levaram até hoje, no aqui e agora, e perceber que, se tem algo em comum em cada avanço tecnológico, é o fator humano preguiça.

Pare um pouco e pense comigo: o que nos motiva mais a realizar tarefas pesadas, difíceis em diferentes níveis e que exigem, comumente, muito da gente?

Sim, com certeza você pode pensar nos incentivos envolvidos, como receber um salário por isso, conquistar status social ou mesmo agregar valor à sociedade. Entretanto, há algo que julgo estar ainda mais próximo da raiz da ação em si mesma, pois no fim das contas todo gasto de energia exige sua reposição, e qualquer pessoa que respeita seu legado biológico-evolucionário prefere, na ausência de necessidade, não executar tarefas desnecessárias.

Nós trabalhamos e progredimos em função de não precisarmos mais trabalhar e progredir (quem não quer se aposentar um dia, não é mesmo?). Nós ansiamos um futuro no qual todas as conveniências possam convergir de forma que satisfaçam cada uma de nossas necessidades e aspirações. Nós queremos ter atendidos todos os nossos anseios para que, um dia, possamos nos sentir plenos e livres para fazermos o que quisermos. É por isso que progredimos e, embora possamos não gostar de nossas funções (boa parte dos assalariados gostaria de fazer outras coisas), ainda assim as executamos na esperança de que um dia não precisemos mais executá-las.

Não é segredo algum que o ser humano seja perfeitamente capaz de se adaptar a diferentes condições ambientais. Se você é o responsável por uma família inteira, você dará um jeito de levar as coisas num nível mínimo de sustentabilidade. Se você é o diretor de uma empresa, fará o possível (e às vezes arriscará o impossível) para que as coisas decorram dentro da normalidade — e assim por diante.

Agora, e se não é você o responsável por toda uma família nem por toda uma equipe de empregados, por que você moveria um dedo para sanar seus problemas? Certamente, você teria que ter um bom motivo para fazê-lo.

Extrapole isso para inovações tecnológicas e você perceberá como nossa condição mais primitiva, a preguiça, se associa aos desafios que encontramos na sociedade moderna e acaba, contra-intuitivamente, nos fornecendo os estoques de energia que tanto acumulou e que são indispensáveis para a consecução das soluções que demandamos diariamente.

Em todos os lados, em todos os sentidos, há a preguiça humana. E por mais irônico que seja, é ela o grande agente inspirador que move a humanidade.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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