A morte da mulher do Lula não me surpreende

E o inevitável fato de que você é o próximo.

Lula e sua falecida mulher, Marisa Letícia.

Não sei se sou insensível ou algo assim, mas a internet traz à tona coisas que, definitivamente, não me surpreendem e, invariavelmente, muitas vezes não me interessam. E uma delas é a morte da mulher do Lula.

Morte é sempre assunto complicado. Mas morte também é, no fundo, banal. Basta você respirar e tem alguém morrendo. Tão banal que é surpreendente como conseguimos viver uma vida inteira pensando que a morte é para os outros, que somos intocáveis.

Nessa condição um tanto cega, ainda assim utilizamos a morte como ameaça, e mesmo como glória.

Como ameaça porque, sabemos, basta lembrar ao outro de sua condição existencial, que está aqui mas pode não estar mais — e que podemos tomar a liberdade para ajudar nisso -, que damos ao outro um ótimo incentivo para que ele tome medidas racionais (seja para se curvar a nós, seja para nos rebater).

Como glória porque sentimos certo furor quando aqueles que vemos como inimigos são atingidos por este inevitável fado do destino. E então tornamos a vida num imenso campo de futebol onde nossa torcida vibra a cada goleada no time adversário.

Não quero entrar no mérito de discutir a morte da mulher do Lula em si. De gente bela, recatada e do lar, já falamos o suficiente sobre a mulher do Temer — nessa mania infantil de mirar nossas críticas nos outros e não percebermos que elas também atingem a gente. A questão é mais basilar, mais simples e urgente: você vai morrer.

Mas não só isso: você vai morrer e, assim como é visível no fato político do momento, algumas pessoas celebrarão sua morte, enquanto outras lamentarão. E lamentarão em descaramento tamanho que sua morte talvez só sirva para confirmar os anseios pessoais de todos aqueles que dão algum valor político a ela, de forma que a distinção entre celebração e lamentação se farão impossíveis.

Nada menos esperado. Afinal, como sustentam alguns, “tudo é política”.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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