A livre-imigração de islâmicos para o Brasil

Na imagem, a população carente da Vila de Santa Catarina, região sul da cidade de São Paulo, mostra os cartazes que lhes foram dados pelos organizadores de uma ação social promovida pelos Emirados Árabes Unidos, junto à Federação das Associações Muçulmanas no Brasil (FAMBRAS), entidade cujo objetivo é o de divulgar o islã e apresentá-lo como algo positivo para a sociedade em geral.

Sou, numa primeira vista, a favor da livre imigração. Numa primeira vista porque minha capacidade de medir as possibilidades da realidade é medíocre frente ao fato de que imprevistos acontecem.

Mas essa percepção inicial, pró-livre-imigração, fica confusa quando sou posto frente a questões urgentes da nossa realidade, como o problema quanto à ideia de “islamofobia”, bastante difundida entre um certo tipo de pessoal de esquerda que, na tentativa de amparar islâmicos contra preconceitos e intolerância religiosa, acabam sendo condescendentes quanto às suas ações inclusive relativas ao seu próprio povo.

E aqui temos dois quadros: na medida em que o islã é a religião que mais cresce no mundo, ganhando adeptos de todos os lados, os defensores da ideia de que o “mundo eurocêntrico” seja “islamofóbico” crescem em adeptos, também.

Partindo disso, podemos nos focar no Brasil, e nos perguntar: o quão inteligente é tolerarmos a livre-imigração de islâmicos para nosso país, num quadro social a nível global que é cada vez mais condescendente com ações que partam de um ideário islâmico de mundo, por aparente empatia que, sabemos, acaba por ser nociva na medida em que se tenta justificar racionalmente a validade da aplicação de seus dogmas frente a todo um grupo de pessoas, como a lei da sharia?

Minha preocupação aqui é que já temos uma bancada evangélica para lidar. Sim, eles são intolerantes com diversos tipos de pessoas, como com homossexuais e umbandistas. Mas para os islâmicos não seria diferente, caso fossem maioria no Brasil — continuariam intolerantes com homossexuais e umbandistas, a partir do momento em que tivessem poder político.

Engraçadamente, a despeito de seu sucesso global, o islã não tem poder político no Brasil. Acredita-se que essa falta de sucesso se dê num quadro político de prevalência de uma visão cristã de mundo, sendo bastante difícil que brasileiros, em específico, vejam razões para se converterem ao islamismo. E o fator religioso aqui fica claro quando vemos que evangélicos podem ser o ponto de resistência frente à difusão do islamismo — e não ateus, que são fraquíssimos em termos de movimentação política. Curiosamente, parece que é justamente o cristianismo predominante que impede a ascensão do islamismo no Brasil.

Embora eu seja declaradamente ateu, tendo a acreditar que a melhor forma de combater a alienação religiosa seja com mais liberdade religiosa, dando acesso aos indivíduos para que defendam suas preferências. É o que parece acontecer no Brasil com um forte cristianismo peitando a proliferação do islamismo; é o que aconteceria caso tivéssemos duas bancadas, uma evangélica e uma islâmica, em parecido grau, e veríamos que, na essência de suas discordâncias, uma impediria a outra de se utilizar do Estado para impôr suas leis.

A facilitação da imigração do ideário islâmico para o Brasil, de modo que destituísse a voz cristã de poder de resistência, portanto, acabaria por ser o caos. Não porque uma bancada islâmica tão ou mais poderosa que a evangélica fosse pior (suspeito que fosse, mas esse não é o ponto), mas porque, como dito anteriormente, temos uma ascensão de um ideário não apenas religioso sobre o mundo, mas de um ideário ideológico, de esquerda e pós-moderno, que prega tolerância seletiva e compactua com a intolerância quando ocorre convenientemente às suas pretensões ingênuas de mundo.

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