A libertação dos rótulos

Das coisas que mais me dão ânimo e me fazem ver beleza na vida, está a nossa capacidade de fugirmos dos rótulos, dos nomes, características e identificações pessoais para que possamos adentrar, quase que inteiramente, no conteúdo daquela relação.

Me refiro àqueles momentos em que, desinteressados, nos pegamos ousando a criação de uma nova relação, seja com um colega de classe ou de serviço, seja mesmo com um estranho qualquer, e mesmo não sabendo seu nome conseguimos passar horas a fio numa boa e sincera conversa.

Nesses momentos, é mágico como conseguimos nos dissociar totalmente de preconceitos e julgamentos para que possamos ter as primeiras e livres impressões sobre aquela pessoa que se apresenta, inteira e originalmente, à nossa frente.

Pois mais que cultivar novos vínculos, a beleza do encontro destemido com novos contatos está no resgate da condição humana mais filosófica: a isenção de pessoalidade e o alcance, mesmo que brevemente, da imparcialidade.

Temos sim bagagens anteriores, mas não são delas que se faz o fato de que, em novos territórios, somos bebês procurando nos situar, ausentes de conceituações fixas e pré-estabelecidas, ansiosos pelo encontro e conhecimento daquilo que se apresenta, independente dos rótulos que possamos lhe dar.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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