A ideologia quer tomar conta da sua empresa

A mão do consumidor que move a ação do empresário.

É interessante como páginas, empresas e organizações precisem de público para se manterem ativas na internet. Na verdade, é tudo uma questão de tornar os anseios individuais em aspirações coletivas — daí a necessidade de ter quem nos ouça, de forma relevante e, principalmente, quantitativa.

Afinal, como tudo na vida real, há custos para mantermos projetos. E tais custos são, no geral, ressarcidos com a existência de um público cativo e de participação constante.

Pensei nisso após me perguntar sobre o que faz páginas tão interessantes e racionalmente relevantes sucumbirem à pressão popular. Essa pressão, bem recebida por toda política que se pretende manter viva, pode aspirar mudanças de paradigmas relevantes e construtivas. Mas, na verdade, essa não é a regra.

As pessoas exigem mais conveniência quanto às suas ideias, por parte de organizações que são muito mais que números e representam muito mais que clamor popular. As pessoas buscam ter suas pré-concepções de mundo validadas por todo tipo de instituição séria, o que faz com que pressionem instituições racionalistas e preocupadas com a verdade objetiva sobre as mais variadas ideias.

As mais diversas ideologias têm tomado força com a internet, pois são ideias, muitas vezes simplistas, que se encaixam com certos pré-conceitos, e são no geral cooptadas por uma massa homogênea de pensamento muitas vezes dualista e dogmático.

Quando as ideologias acabam por unificar suas forças em prol de objetivos comuns, é bem possível que os alcancem numa sociedade democrática — afinal democracia é, de certa forma, isso: clamor popular efetivo e insistente. Daí que instituições mais sérias — que prezam pela qualidade ao invés da quantidade — acabam tendo o cerco fechado por uma gama de pessoas interessadas em validarem suas percepções de mundo, de todas as formas possíveis.

É o que vemos hoje em dia com páginas que não cabe aqui denominar, que dizem se preocupar com a razão, com o valor científico das ideias, com o conhecimento factual e com uma síntese filosófica justa sobre todos os dados recolhidos.

Estamos, com toda certeza, mais conectados. Mas não podemos dizer, ainda, que tantas bolhas dispersas em meio a essa conexão nos dá autonomia individual para pensarmos o mundo, sem que caiamos na tentação de crenças simples e que prometem o paraíso.

Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto

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